Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab
A safra de grãos 2025/2026 no Brasil deve atingir 360,1 milhões de toneladas, novo recorde, segundo a Conab. O crescimento é puxado pela soja e pelo milho, mas o clima ainda impõe cautela. Entenda os números e o que esperar.
Larissa Coutinho · Consultora de carreira internacional · 14 de julho de 2026 · 3 min Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab
A estimativa da Conab para a safra de grãos 2025/2026 projeta um novo recorde: 360,1 milhões de toneladas. O número, divulgado no 12º Levantamento da safra, em junho de 2026, representa um crescimento de 8,2% sobre o ciclo anterior. O avanço é puxado pela soja e pelo milho, mas o clima no Sul e no Matopiba ainda acende alertas.
Segundo a Conab, a safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, um recorde histórico para o país. O aumento reflete a expansão de área plantada e ganhos de produtividade.
O que está por trás do recorde de 360,1 milhões de toneladas
A soja segue como carro-chefe. A Conab estima produção de 180,2 milhões de toneladas, com alta de 12% sobre a safra passada. O milho total deve atingir 130,5 milhões de toneladas, sendo 100 milhões na safra de verão e 30,5 milhões na safrinha.
O arroz e o feijão também registram crescimento. A produção de arroz deve chegar a 12 milhões de toneladas, e o feijão, a 3,5 milhões de toneladas (IBGE, Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, mai/2026).
Soja: a principal alavanca
A área plantada com soja cresceu 4%, para 48 milhões de hectares. A produtividade média subiu para 3.750 kg/ha, impulsionada por condições climáticas favoráveis no Centro-Oeste (Conab, 12º Levantamento, jun/2026).
Milho: safrinha compensa perdas
A safrinha de milho, que responde por 70% da produção total, deve atingir 95 milhões de toneladas. A Conab destaca que, apesar de atrasos no plantio em Mato Grosso, as chuvas regulares garantiram o desenvolvimento das lavouras.
Clima e riscos: por que a cautela
Apesar do recorde, o cenário não é isento de riscos. O fenômeno La Niña, que perdeu força no início de 2026, deixou resquícios de estiagem no Rio Grande do Sul e em partes do Matopiba. A Conab alerta que a produtividade pode cair até 5% nessas regiões se o clima não colaborar na reta final da colheita.
O excesso de chuvas em maio também atrasou a colheita do milho safrinha em Goiás e Minas Gerais. Até o momento, 85% da área foi colhida, contra 92% no mesmo período de 2025 (Conab, Monitoramento Agrícola, jun/2026).
Impacto no mercado e nos preços
Com a oferta recorde, os preços domésticos de soja e milho tendem a cair. A saca de soja, que fechou maio a R$ 130,00, pode recuar para R$ 120,00 no segundo semestre, segundo projeções do Cepea preços agrícolas 2026. O milho, cotado a R$ 60,00 a saca, deve se manter estável, puxado pela demanda de ração animal.
Para o consumidor, a notícia é positiva. A safra recorde pressiona a inflação de alimentos para baixo, especialmente carnes e derivados, que dependem de grãos para ração. O IPCA de maio registrou queda de 0,3% no grupo alimentação (IBGE, IPCA, mai/2026).
Perguntas Frequentes
Qual é a estimativa da Conab para a safra de grãos 2025/2026?
A Conab estima que a safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, novo recorde histórico.
Quanto o Brasil produziu de soja na safra 2025/2026?
A produção de soja deve atingir 180,2 milhões de toneladas, com alta de 12% sobre a safra anterior.
A safra de milho também será recorde?
Sim, a produção total de milho deve chegar a 130,5 milhões de toneladas, sendo 100 milhões na safra de verão e 30,5 milhões na safrinha.
Quais os principais riscos para a safra?
O principal risco é climático: La Niña pode reduzir a produtividade no Sul e no Matopiba. O excesso de chuvas também atrasou a colheita do milho safrinha em Goiás e Minas Gerais.
Como a safra recorde impacta os preços dos alimentos?
A oferta maior tende a reduzir os preços de soja e milho, o que pode baratear carnes e derivados. O IPCA de maio já registrou queda de 0,3% no grupo alimentação.